Postado em 21/11/2009 10:23 por Ziraldo
Das aventuras que se pode viver na capital do mundo
Espalhem a notícia. Eu estou me mandando, porque o que quero e fazer parte de Nova York, Nova York! Esses sapatos vagabundos - não tenho ideia porque eles podem ser vagabundos - querem mesmo é desviar meu caminho para o coração de Nova York, Nova York. Quero acordar de manha naquela cidade que não dorme; sentir-me o rei da cocada preta, ficar por cima da carne seca, deixar essa porcaria desta cidadezinha triste que já ta derretendo e começar tudo, novinho em folha, em Nova York, Nova York.
Fizeram a canção que diz estas palavras muito depois, mas a gente já cantava sua letra lá no fundo de Minas, quando adentramos a adolescência. Nada de Rio, São Paulo ou Belo Horizonte; nos queríamos mesmo era ir pra Nova York. Nos, a rapaziada toda do vale do rio Doce.
Eu me lembro, direitinho, como tudo começou; durante muito tempo tive notícias dos primeiros que se foram. Por causa do cristal de rocha e da mica que abundavam na região e interessavam a indústria de guerra americana, eles foram chegando. Logo, os pastores presbiterianos - americanos e brasileiros - foram se instalando, também, na região e, quando terminamos o curso ginasial no nosso colégio protestante, pelo menos uns dez colegas nossos voaram pra terra do Tio Sam. Um dia, Governador Valadares vai erigir, em sua praça principal, um monumento aos pioneiros do Êxodo do Vale. Ai, vão poder perguntar a mim os nomes dos dez primeiros que partiram de Caratinga. Não fui para Nova York. Peguei o trem da Leopoldina para o Rio e esqueci o sonho.
Meus filhos, os filhos dos meus irmãos, os netos de Sêo Geraldo e Dona Zizinha nasceram todos longe da minha terra. Dela, não tiveram muitas informações e nunca estudaram no Ginásio Caratinga do reverendo Uriel. Houve, porém, um dia em que todos eles, da adolescência ao começo da idade adulta, estavam morando em Nova York. Como se isto fosse o inexorável destino de quem descende da gente do vale do rio Doce.
Hoje, todos já retornaram a terra, estão construindo aqui suas famílias. Meu pai e minha mãe, se estivessem vivos, já teriam tantos bisnetos quantos netos tiveram antes de partir. Mas Nova York continua tão próxima de nossas vidas como se fosse nosso caminho da roça (como é pra quase totalidade da população de Governador Valadares e das cidades da região que ela domina).
Meu irmão Zélio ainda tem uma filha que continua morando lá, a Aninha, designer como um monte dos netos do Sêo Geraldo. Todo ano ela vem passar o reveillon conosco. Como, depois que minhas filhas retornaram ao Brasil, poucas vezes voltei lá, aproveitei que Aninha estava aqui, peguei minhas milhagens da Varig e, com a Marcia, fui ver os fogos de 31 de dezembro enfeitando a cidade que nunca dorme.
Amanhã conto pra vocês o final da história...
Tudo bem? Não percam!
Fizeram a canção que diz estas palavras muito depois, mas a gente já cantava sua letra lá no fundo de Minas, quando adentramos a adolescência. Nada de Rio, São Paulo ou Belo Horizonte; nos queríamos mesmo era ir pra Nova York. Nos, a rapaziada toda do vale do rio Doce.
Eu me lembro, direitinho, como tudo começou; durante muito tempo tive notícias dos primeiros que se foram. Por causa do cristal de rocha e da mica que abundavam na região e interessavam a indústria de guerra americana, eles foram chegando. Logo, os pastores presbiterianos - americanos e brasileiros - foram se instalando, também, na região e, quando terminamos o curso ginasial no nosso colégio protestante, pelo menos uns dez colegas nossos voaram pra terra do Tio Sam. Um dia, Governador Valadares vai erigir, em sua praça principal, um monumento aos pioneiros do Êxodo do Vale. Ai, vão poder perguntar a mim os nomes dos dez primeiros que partiram de Caratinga. Não fui para Nova York. Peguei o trem da Leopoldina para o Rio e esqueci o sonho.
Meus filhos, os filhos dos meus irmãos, os netos de Sêo Geraldo e Dona Zizinha nasceram todos longe da minha terra. Dela, não tiveram muitas informações e nunca estudaram no Ginásio Caratinga do reverendo Uriel. Houve, porém, um dia em que todos eles, da adolescência ao começo da idade adulta, estavam morando em Nova York. Como se isto fosse o inexorável destino de quem descende da gente do vale do rio Doce.
Hoje, todos já retornaram a terra, estão construindo aqui suas famílias. Meu pai e minha mãe, se estivessem vivos, já teriam tantos bisnetos quantos netos tiveram antes de partir. Mas Nova York continua tão próxima de nossas vidas como se fosse nosso caminho da roça (como é pra quase totalidade da população de Governador Valadares e das cidades da região que ela domina).
Meu irmão Zélio ainda tem uma filha que continua morando lá, a Aninha, designer como um monte dos netos do Sêo Geraldo. Todo ano ela vem passar o reveillon conosco. Como, depois que minhas filhas retornaram ao Brasil, poucas vezes voltei lá, aproveitei que Aninha estava aqui, peguei minhas milhagens da Varig e, com a Marcia, fui ver os fogos de 31 de dezembro enfeitando a cidade que nunca dorme.
Amanhã conto pra vocês o final da história...
Tudo bem? Não percam!









1. Adoro causus. To esperando o final desse.
bjo
eidia
www.oquevivipelomundo.blogspot.com